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Publicado em 06/08/2026
Por Alexandre Fuchs das Neves
FIDC Raiz é aquele que começou como uma pequena factoring, com muita sola de sapato gasta, muita dificuldade e, às vezes, fazendo operação no Excel. Começou com enormes dificuldades na seleção de crédito: não havia contrato-mãe adequado, mandavam-se ARs para confirmar as notas. Mandava-se até fax e se exigia que o número do telefone constasse no retorno da notificação.
Era quando se rodava um dia inteiro, muitas vezes sem ar-condicionado no carro, enfrentando trânsito, pedágio, locais perigosos, desconhecidos, sem GPS, apenas perguntando onde ficava determinada empresa ao frentista do posto mais acessível.
No final do dia, as contas não batiam. Gastava-se mais na prospecção que no resultado.
Computadores eram caros, sistemas operacionais ineficazes e igualmente caros, e não nos atendiam.
Ficávamos olhando a devolução do banco com as liquidações e pendências, e muitas vezes não sabíamos se iríamos operar naquele dia ou cobrar sacado/cedente.
Não havia um cadastro perfeito, nem de onde extrair dados confiáveis — insumos necessários para nossa atividade.
Mas nós fazíamos o dever de casa, anotando num pedaço de papel o resultado da visita realizada, e aquele pedaço de papel tinha, e ainda tem, um enorme valor para a análise de crédito e abertura do cedente e, inclusive, a sua manutenção.
Aí veio a confusa CVM 356 e seus remendos, e vários esqueceram a Raiz, viraram “Farialimers”, onde o gestor se forma na FGV na sexta e, na segunda, já é diretor.
Por fim, acabamos operando — e não que isso não tenha validade; ao contrário, como referido, são insumos importantíssimos.
Mas fundos nascem e crescem e confundem PL com qualidade de carteira. Vemos isso todos os dias.
Crescem mais por vaidade que efetivamente por um crescimento orgânico, o que leva à necessidade de pagar investidor e, no final da linha, a reduzir taxas que ficam impraticáveis e, lamentavelmente, às famosas viúvas de fraudes e recuperações judiciais.
E a transformação: o gerente comercial passa a ser gerente do cedente, com uma série de empresas para dar de opção para operação.
Enfim, fundo Raiz é aquele em que o relacionamento e a sua manutenção estão fundamentados na política do “conheça o seu cliente”, e, para isso, nada melhor que a tradicional — e de enorme valor — criteriosa visita.
Fica a dica aos fidiqueiros de iPhone, que passam o dia vendo somente dados, e não o cedente como ele de fato é.
Alexandre Fuchs das Neves é advogado e orientador jurídico do SINFAC-SP – Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do Estado de São Paulo e da ABRAFESC.