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Publicado em 03/03/2026

Tecnologia, crédito estruturado e o esgotamento da duplicata: os caminhos para a nova fase do fomento comercial

O mercado de fomento comercial precisará ir além da antecipação de recebíveis de curto prazo. Essa é a avaliação central de Tabaré Acosta, fundador da UY3 SCD, no Episódio 11 da 3ª temporada do podcast Fomento 360, em conversa com o host Alexandre Fuchs das Neves. Com foco em gestores de FIDCs, securitizadoras, factorings e SCDs, o episódio propõe uma reflexão direta: qual é a estratégia de crédito de longo prazo da sua empresa e como a tecnologia pode ser aliada na construção de um modelo mais robusto e menos dependente da duplicata de curto prazo?

Ao longo do bate-papo, Tabaré sustenta que a crescente concorrência e a transformação do crédito em “commodity” pressionam as margens e exigem mudança de postura por parte de FIDCs, securitizadoras e demais estruturas do mercado. “Fazer crédito de verdade”, segundo ele, significa conceder crédito de médio e longo prazo a partir da compreensão do setor do cliente e mapeamento de riscos para estruturar operações com instrumentos como CCBs e notas comerciais, e não apenas antecipar duplicatas com prazo de 30 a 45 dias.

A entrevista destaca que a ampliação da prateleira de produtos tende a fortalecer o relacionamento com o cedente e aumentar a fidelização. Para o convidado, operar apenas no modelo convencional limita o crescimento e expõe a empresa à disputa exclusiva por taxa. Nesse contexto, o uso de tecnologia é apontado como elemento inevitável. Plataformas digitais, esteiras de crédito e ferramentas de análise de dados contribuem para acelerar decisões, ampliar a segurança operacional e viabilizar modelos como o “credit as a service”.

 

Ao mesmo tempo, o episódio reforça que a tecnologia não substitui a análise presencial, o conhecimento do setor e o acompanhamento próximo do cliente, fatores considerados decisivos na mitigação de risco. Para Tabaré, a antecipação de recebíveis deve, cada vez mais, estar dentro de estruturas mais amplas de crédito, com visão de médio e longo prazo. A profissionalização do mercado passa por análise consistente de balanços, entendimento das transformações setoriais e uso inteligente de dados, combinados ao “olho no olho” tradicional do fomento. Alexandre Fuchs reforça o ponto ao afirmar que “dado não é feeling, não é olho no olho, não é olhar a instalação”, defendendo a importância da análise presencial.

 

Ao discutir instrumentos considerados de maior risco, como a operação com comissárias, o episódio também provoca reflexão sobre práticas que podem gerar passivos jurídicos temerários e que, segundo os debatedores, tendem a perder espaço diante de alternativas tecnológicas e estruturais mais seguras e acessíveis.

 

 

Podcast Fomento 360 – EP#11 T3
O novo crédito: por que o mercado precisa ir além da duplicata
Convidado
: Tabaré Acosta – Fundador da UY3
Host: Alexandre Fuchs das Neves – Orientador jurídico do SINFAC-SP e da ABRAFESC
Produção: ABRAFESC, com apoio do SINFAC-SP

Assista no YouTube: https://youtu.be/1whvikYrN5g

Ouça no Spotify: https://spotifycreators-web.app.link/e/1XnXLoVhd1b

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