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Publicado em 19/02/2026

Podcast Fomento 360 debate antecipação de contratos públicos como estratégia de diversificação no crédito

A digitalização e a integração de dados vêm ampliando as possibilidades de atuação no mercado de fomento, abrindo espaço, inclusive, em segmentos historicamente pouco explorados, como o crédito lastreado em contratos públicos. Esse foi o foco do Episódio 10 do Podcast Fomento 360, produzido pela ABRAFESC. Na conversa com Amanda Miranda, conselheira fiscal do SINFAC-SP, e Doriana Bento, consultora fiscal do SINFAC-SP e da ABRAFESC, Ricardo Cury, CEO fundador da Broadfactor, e Leandro Piekatoski, CTO da companhia, detalharam o funcionamento do Antecipagov e destacaram o potencial da plataforma como alternativa para FIDCs e securitizadoras que buscam diversificação, previsibilidade, escala e mitigação de riscos. Assista no YouTube ou ouça no Spotify.

De acordo com Cury, a Broadfactor participou desde as primeiras discussões regulatórias sobre o Antecipagov, plataforma do Governo Federal que conecta fornecedores, órgãos públicos e agentes financeiros com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito. A empresa foi credenciada, em 2020, como gestora do programa, criado para fomentar o crédito a fornecedores do governo federal em meio às dificuldades impostas pela pandemia. A primeira operação foi realizada em julho de 2021. O desenvolvimento tecnológico ocorreu em parceria com o Serpro. 

A dinâmica do Antecipagov envolve prestadores de serviço do governo federal que solicitam crédito diretamente na plataforma, vinculando contratos públicos como garantia. Por meio de integração via API, as demandas chegam à Broadfactor, responsável pela análise documental, avaliação de crédito e validações operacionais, e demais procedimentos que reforçam a segurança das transações para fundos e securitizadoras. 

Um dos principais diferenciais, segundo Cury, está nos filtros e nas travas de segurança. Apenas contratos vinculados ao Portal da Transparência podem ser utilizados, o que garante rastreabilidade e contribui para a redução de riscos. Além disso, o sistema bloqueia contratos de órgãos que não aderiram ao programa. A plataforma também consolida informações históricas dos cedentes, como volume de operações realizadas, prazos, pagamentos, tempo de constituição das empresas e desempenho dos contratos, ampliando a visibilidade das operações e a segurança aos investidores. 

Segundo o CEO da Broadfactor, esse segmento apresenta dimensão relevante. As compras do governo federal movimentam a cada ano cerca de R$ 100 bilhões. “Nos próximos anos, estados e municípios também devem aderir e, na minha visão, esse volume vai dobrar”, afirmou. Atualmente, a Broadfactor origina aproximadamente R$ 200 milhões por mês em operações no Antecipagov. Nos quatro primeiros anos do programa, o volume acumulado alcançou R$ 3,7 bilhões, mesmo com um período de interrupção temporária de um ano. 

Em relação aos prazos, a maioria dos contratos com o governo federal varia entre um e três anos, podendo ser estendida por até dez anos. Segundo Cury, é possível estruturar operações de parcela única, com prazo de 30 dias. No entanto, transações com vencimentos entre 120 dias e nove meses tendem a apresentar melhor equilíbrio. “Temos feito muitas operações entre 6 e 9 meses, que rentabilizam bem. Também não fica um prazo tão longo, nem caro e arriscado", explicou o CEO da Broadfactor. 

Outro ponto destacado foram as travas operacionais. Até a liquidação integral, apenas fundos ou securitizadoras com contrato alienado por meio de CCB conseguem realizar novas operações. "A gente trava o contrato para aquele fornecedor de crédito", esclareceu Ricardo.  

Como camada de proteção, a Conta Escrow pode ser travada diretamente no sistema de pagamentos do governo. O domicílio bancário é alterado eletronicamente, e o próprio governo, por meio do Serpro, emite o termo de mudança. “Realizamos diversos testes. No momento do pagamento, não há possibilidade de direcionar recursos para outra conta, pois o sistema carrega exclusivamente o domicílio bancário previamente travado”, afirmou Cury, acrescentando que o cedente não consegue alterar essa condição. 

Para Ricardo Cury, o Antecipagov representa uma alternativa estratégica para diversificação de portfólios. “Todo recurso envolvido no programa já está empenhado no Orçamento da União, então, será pago. Trata-se de um programa de Estado, não de governo”, disse. 

Leandro Piekatoski reforçou a percepção de segurança e atratividade das operações. Segundo o CTO, o modelo pode, em determinados contextos, apresentar uma relação favorável entre risco e retorno quando comparado a estruturas tradicionais. “Vale a pena analisar. Hoje, em muitos casos, uma operação no Antecipagov pode ser mais segura e rentável do que uma operação com duplicatas, por exemplo”, concluiu. 

Fomento 360 – EP#10 T3 

Antecipação de contratos públicos: oportunidade bilionária para FIDCs e securitizadoras  

Convidados:  

- Ricardo Cury, CEO da Broadfactor  

- Leandro Piekatoski, CTO da Broadfactor 

Hosts:  

- Doriana Pieri Bento – Diretora do SINFAC-SP e da ABRAFESC   

- Amanda Viana Miranda – Diretora do SINFAC-SP 

Produção: ABRAFESC, com apoio do SINFAC-SP 

Ouça no Spotify: https://open.spotify.com/episode/0tjumjlEUkIvjfI0oKpEzl?si=YALLJxB-QIudoltAKfVr_A 

Assista no YouTube: https://youtu.be/26zuRve3j7Y 

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