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Publicado em
25/07/2019
“Não basta só trazer o usuário para o aplicativo, ele tem de usar com frequência, por isso estamos criando um ‘superapp’ de serviços financeiros”, diz o executivo, na primeira entrevista após assumir o cargo. “A empresa nasceu como fintech, e agora precisa ‘escalar’.”
A PicPay foi criada em 2012 por três empreendedores de Vitória, no Espírito Santo. Em fevereiro, o banco Original, da holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, adquiriu metade da participação e fechou parceria para oferecer 700 mil cartões aos clientes da conta de pagamentos. Gueitiro foi indicado ao cargo por Alexandre Abreu, também ex-executivo do Banco do Brasil, que está à frente do Original.
Neste ano, a PicPay atingiu 10 milhões de usuários, com volume financeiro de R$ 500 milhões mensais, o que resultará em R$ 6 bilhões até dezembro — a empresa não diz quantos usuários estão, de fato, fazendo transações com frequência. Com a ampliação dos produtos, a expectativa é chegar a 25 milhões de usuários e R$ 25 bilhões em volume financeiro até junho de 2020.
O aplicativo permite receber e enviar pagamentos pelo celular, de graça e instantaneamente, usando o saldo da conta digital ou cartão de crédito bancário cadastrado no aplicativo. No novo produto, no entanto, a empresa vai disponibilizar um limite de crédito para quem não tem como pagar na hora da transação, e o cliente quita no recebimento de uma fatura, em até 12 vezes.
O produto estará vinculado a uma conta pós-paga emitida pelo banco Original, que será um participante do arranjo PicPay. A opção por trazer o banco para o produto é o conhecimento em análise de crédito e a celeridade para lançamento. Os recursos do crédito são do banco, e a fintech ganha uma taxa por transação.
Nos estabelecimentos comerciais, as compras pelo PicPay são feitas via código de imagem (QR Code), mediante o desconto de uma taxa por transação de, em média, 2,5% em cada operação, a principal fonte de receita da empresa. No total, são 1,4 milhão de estabelecimentos cadastrados.
“Tentamos oferecer o aplicativo o mais gratuito possível ao consumidor, cobrando dos estabelecimentos”, diz o fundador Anderson Chamon, diretor de tecnologia e produto. “Começamos no varejo com alta recorrência de uso dos consumidores, mas a estratégia é ampliar, atacando ainda mais mobilidade urbana e transporte público, por exemplo.”
A ideia é replicar no Brasil o que ocorreu em Vitória, berço da empresa. Por lá, a ampliação dos serviços para usuários e varejistas criou um efeito multiplicador de uso do aplicativo, como um “cluster”. Em alguns estabelecimentos, 30% do faturamento são de pagamentos realizados com PicPay. “Dois terços dos clientes baixam o aplicativo de maneira orgânica, num efeito viral, porque uma pessoa baixa e pede que outra também faça para realizar as transações”, diz Genso.
Segundo os executivos, o fato de o Banco Central (BC) estar desenvolvendo um sistema de pagamentos instantâneos, baseado em QR Code, com previsão de lançamento em 2020, permitirá que o negócio cresça mais rápido. Chamon conta que a PicPay teve de fazer acordos bilaterais com cada banco para que o dinheiro pudesse sair de um para chegar a outro. Em alguns casos, a fintech usa o serviço do banco como se fosse um cliente. Já com o Banco Central haverá uma câmara de compensação única, o que será mais barato e permitirá uma maior eficiência.