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Publicado em 28/01/2020

Lucro de banco deve perder fôlego em 2020 (Valor Econômico)

Os maiores bancos brasileiros devem apresentar forte crescimento do lucro líquido no quarto trimestre de 2019, diante da combinação de avanço da carteira de crédito a pessoas físicas e pequenas e médias empresas, retornos ainda elevados e inadimplência controlada - a mesma dinâmica vista nos trimestres anteriores. A temporada de balanços se inicia amanhã com os resultados do Santander.

Todos os olhos, no entanto, estarão voltados para a divulgação de guidances para 2020. Os analistas acreditam que será mais difícil obter resultados robustos como no passado devido aos juros mais baixos, inclusive com o teto do cheque especial imposto pelo Banco Central, aumento na tributação e elevação da competição no mercado propiciada pelo regulador.

A média de projeções de sete casas de análises consultadas pelo Valor aponta para um lucro líquido combinado de R$ 22,170 bilhões entre outubro e dezembro para os maiores bancos privados - Itaú Unibanco, Bradesco e Santander - e o Banco do Brasil (BB).

O número representa um avanço de 13,4% em relação ao mesmo período de 2018, porém uma evolução de apenas 1% na comparação com o terceiro trimestre. Foram considerados os dados divulgados por BTG, Citi, Goldman Sachs, Itaú Unibanco, Safra, UBS e XP Investimentos.

De acordo com analistas do UBS, contribuem para o resultado do quarto trimestre uma melhor receita com tarifas de serviços e o maior controle de custos por parte das instituições financeiras. Além disso, em decorrência do aumento da CSLL de 15% em 2019 para 20% em 2020, conforme determinado pela reforma da Previdência, os bancos terão de realizar uma reavaliação tributária que trará ganhos entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões no quarto trimestre. Com o aumento da CSLL, sobe o saldo de crédito tributário, calculado com base nas despesas com provisões que não se tornam efetivamente perdas com empréstimos e financiamentos, um ajuste que tem efeito imediato no resultado final.

Em relação à carteira de crédito, o Bradesco e o Santander devem ter avanço no patamar de 11% no quarto trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 452,8 bilhões e R$ 339,5 bilhões, na ordem. O Itaú, por sua vez, deve ter crescimento de 10%, para R$ 586,7 bilhões, e o Banco do Brasil deve avançar apenas 0,06%, para R$ 640,6 bilhões no período. Goldman, UBS, Itaú Unibanco e Safra divulgaram projeções para a carteira de crédito dos bancos.

Segundo os analistas, o BB ainda tem um fraco desempenho no crédito devido aos empréstimos corporativos em forte queda. No entanto, segundo a XP Investimentos, a inadimplência controlada e um mix mais rentável (mais focado em pessoas físicas e empresas menores) beneficiam a margem do banco.

A equipe do Itaú Unibanco prevê retornos sobre o patrimônio líquido (ROE) próximos de 20% no quarto trimestre de 2019 para os bancos brasileiros. Já para 2020, as projeções são de que o setor não tenha tanto fôlego assim para manter a rentabilidade.

“É pouco provável que mude o ceticismo do mercado relacionado ao crescimento sustentável dos ganhos dos bancos”, dizem os analistas, em relatório. Eles esperam que as metas para 2020 de “bottom-line” sejam de expansão entre 0% e 5% na média dos bancos brasileiros.

O Citi, por sua vez, ressalta que com a demanda por empréstimos sólida e a qualidade dos ativos alta - embora os juros menores devam pesar sobre os retornos dos bancos no próximo ano -, um melhor mix de produtos deve atenuar a pressão de curto prazo nos resultados. No entanto, dada a pressão regulatória, como por exemplo o teto do cheque especial, a margem líquida com juros deve cair quando considerado o médio prazo.

O Bank of America, no entanto, traçou um cenário pessimista para os bancos privados em 2020, com crescimento do lucro líquido combinado de apenas 2%. A situação é pior para o Itaú Unibanco, que nas projeções dos analistas teria uma queda de 3% no lucro líquido neste ano, para algo perto de R$ 27,5 bilhões. No caso do Bradesco, haveria avanço de 4%, a R$ 26,9 bilhões, enquanto o Santander cresceria no mesmo ritmo de 4%, para R$ 15,3 bilhões.

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