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Publicado em 12/01/2021

Juros do cartão de crédito e cheque especial sobem em dezembro (O Dia RJ)

Após oito meses de queda, os juros das seis linhas de crédito subiram no mês que encerrou 2020, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac). Entre elas estão cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal - bancos, empréstimo pessoal - financeiras, juros do comércio e crédito direto ao consumidor – financiamento de automóveis.

A taxa de juros média para pessoa física teve alta de 0,91% em dezembro (1,20% em doze meses), passando de 5,51% ao mês (90,34% ao ano) em novembro para 5,56% ao mês (91,42% ao ano) em dezembro do ano passado. Assim, os dados revelam que esta foi a maior taxa de juros desde agosto de 2020.

Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente de estudos e pesquisas da Anefac, as elevações podem ser atribuídas ao aumento dos juros futuros, a expectativa de novas elevações da taxa básica de juros frente a uma inflação maior e devido a provável elevação dos índices de inadimplência.

“Essa provável inadimplência pode ocorrer por causa do fim das carências nos empréstimos (pausas e carência nas negociações de dívidas), ao desemprego elevado, que acontece no Brasil, ao fim do pagamento dos auxílios emergenciais (feitos pelo governo), ao aumento da inflação e seus efeitos na renda, e, por fim, a maior seletividade dos bancos na concessão de crédito”, aponta Oliveira.

Para os próximos meses, Oliveira, acredita que, tendo em vista a piora do cenário econômico com maior risco de crédito e da elevação da inadimplência, a tendência é que as taxas de juros possam continuar em alta nos próximos meses. “Mas algumas ações do Banco Central podem amenizar estas altas como redução de impostos, compulsórios e reduções da Taxa Básica de Juros”, diz.

Para não virar bola de neve

Com o aumento das taxas de juros, os consumidores precisam ficar ligados para não cair na bola de neve da cobrança de juros das linhas de crédito. Muito utilizados pelos brasileiros, o consultor e planejador financeiro Marlon Glaciano lembra que cartão de crédito e cheque especial já são possibilidades com taxas altas.

"O cartão de crédito é um empréstimo. Quando a gente não tem um controle, não souber honrar o compromisso, você precisa pagar uma taxa de juros elevadíssima. Já o cheque especial o consumidor está endividado, não tem dinheiro para honrar os pagamentos, e você precisa tomar dinheiro com a instituição bancária para que possa fechar a conta no azul", ressalta ele.

Ele afirma que os dois são soluções que deixam de ser configuradas desta forma se o consumidor não souber usar com qualidade. Por isso, é importante sempre ter em mente o cuidado financeiro com suas contas. "É preciso entender como está a sua rota financeira. É uma pessoa que sabe entender qual sua receita e despesas? É preciso criar uma lista financeira para entender onde se está gastando muito e de qual lugar se pode cortar. Assim, você não vai depender de ficar extrapolando no cartão de crédito e no cheque especial", indica Glaciano.

Pessoa Jurídica

Todas as linhas de crédito de pessoa jurídica também tiveram suas taxas de juros elevadas no mês de dezembro. A taxa de juros média geral para pessoa jurídica teve elevação de 1,41% no mês (1,63% em doze meses), passando de 2,83% ao mês (39,78% ao ano) em novembro para 2,87% ao mês (40,43% ao ano) em dezembro do ano passado. Foi a maior taxa de juros desde setembro de 2020.

Taxa de juros x Selic

Considerando todas as elevações e reduções da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, Anefac afirmou que neste período (março de 2013 a dezembro de 2020) houve uma redução da Selic de 5,50 pontos percentuais (redução de 72,41%), de 7,25% ao ano em abril de 2013 para 2,00% ao ano em dezembro de 2020. Neste período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 3,45 pontos percentuais (elevação de 3,92%), de 87,97% ao ano em março/2013 para 91,42% ao ano em dezembro de 2020.

Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma redução de 3,15 pontos percentuais (redução de 7,23%), de 43,58% ao ano em março de 2013 para 40,43% ao ano em dezembro de 2020.

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