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Publicado em 12/03/2026

Fomento 360: duplicata escritural vai dificultar fraudes e ampliar transparência nas operações

O episódio 12 da terceira temporada do Podcast Fomento 360, produzido pela ABRAFESC com apoio do SINFAC-SP, discute as transformações previstas para o mercado de recebíveis com a implantação da duplicata escritural no Brasil. Na conversa, Renato Cardilli, vice-presidente do SINFAC-SP e CEO da Aticca, entrevista Ivan Pompeu, CEO da CRDC, que explica como a duplicata escritural poderá reduzir riscos de fraude e aumentar a transparência das operações. “O cronograma hoje prevê testes em 2026. Aproveitem essa oportunidade para aprender e testar, para que em 2027 vocês voem”, incentiva Ivan.  Assista no Youtube ou ouça no Spotify. 

Segundo o CEO da CRDC, empresa que participa do processo de implantação do novo sistema junto ao Banco Central como registradora, a digitalização e o registro das duplicatas em um ambiente estruturado devem dificultar práticas fraudulentas, embora não as eliminem completamente. O ecossistema tornará as operações mais transparentes, permitindo que o sacado tenha um papel mais ativo no monitoramento dos títulos emitidos contra ele. Sempre que houver cessão ou qualquer movimentação envolvendo uma duplicata, o sacado será automaticamente notificado. “Existe um portal que já está construído, no qual ele entra gratuitamente e consegue ver tudo que foi emitido contra ele e se manifeste, conteste”, explicou Ivan. 
Essa mudança tende a reduzir fraudes comuns em operações comissárias, nas quais, muitas vezes, o sacado sequer tinha conhecimento de que o título estava sendo negociado. Dentro desse ecossistema, as operações fumaça também ficarão mais seguras. Parcelas futuras da duplicata que ainda não performaram poderão aparecer em uma agenda eletrônica como valores a performar, vinculadas a contratos existentes. Embora aumente a visibilidade das operações, esse mecanismo não elimine todos os riscos, já que o negócio pode não se concretizar. "Você ainda não emitiu, mas já gerou um efeito na agenda futura do cedente, mostrando que quando a operação se concretizar, pertence a você", disse o CEO da CRDC. 


Nesse ecossistema, as escrituradoras funcionarão como uma espécie de elo entre a economia real e o ecossistema financeiro das duplicatas. Ivan compara essa função à dos adquirentes no mercado de cartões de crédito. “O adquirente vai ao estabelecimento, à indústria, ao empreendedor, conectando a economia real ao ecossistema. No universo da duplicata, ele não existe porque quem emite a duplicata é o próprio cedente. Então, esse papel passa a ser assumido pela escrituradora, que vai ligar a economia real ao ecossistema que está sendo construído”, explica.  


Cada empresa poderá escolher apenas uma escrituradora vinculada ao seu CNPJ, responsável por integrá-la ao sistema. Com o ecossistema funcionando plenamente, será formada a agenda eletrônica de duplicatas semelhante à já existente no mercado de cartões. Empresas de fomento poderão consultar diretamente a agenda de recebíveis de seus clientes, em vez de depender apenas das informações fornecidas pelos cedentes, como acontece atualmente. 


O episódio também aborda uma preocupação recorrente do setor: a possibilidade de uma entrada mais intensa de grandes instituições financeiras no mercado de recebíveis. Para Ivan, o impacto pode ser o oposto do esperado. Ele destaca que o mercado é amplo — movimenta cerca de R$ 10 trilhões, sendo de R$ 4 trilhões a R$ 5 trilhões ligados ao universo das duplicatas — e que empresas de fomento mantêm uma vantagem competitiva na proximidade e na personalização do atendimento. “Os bancos não conseguem personalizar o atendimento como o setor de fomento comercial. Com o novo ecossistema, o fomento terá uma visão muito maior de cedentes e poderá trabalhar com empresas que hoje ainda não operam”, afirmou. 
Para o executivo, o momento agora é de preparação. O cronograma prevê a realização de testes ao longo de 2026, etapa considerada fundamental para adaptação do mercado.


Podcast Fomento 360 – EP#12 T3 
Mais controle, menos risco? O impacto real da duplicata escritural no crédito
Convidado: Ivan Pompeu, CEO da CRDC 
Host: Renato Cardilli, vice-presidente do SINFAC-SP e CEO da Aticca 
Produção: ABRAFESC, com apoio do SINFAC-SP 
Assista no YouTube: https://youtu.be/QXk-PfdnoxM
Ouça no Spotify: https://open.spotify.com/episode/3P6dsQZHCNWNG2l4S185ao?si=oTY9Z_8aSlqnD5vJ_Xtehg

 

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