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Publicado em 18/07/2019

Desenvolve SP planeja expandir carteira (Valor Econômico)

Pode parecer contrassenso que um governador que defende tão fortemente um Estado menor como João Doria (PSDB) queira fortalecer uma instituição financeira estatal, mas é justamente isso que está acontecendo. Ele trouxe para comandar a Desenvolve SP - a agência de fomento paulista - Nelson de Souza, que já comandou o Banco do Nordeste e, até o fim do ano passado, liderava a Caixa.

Sua missão, no entanto, não será simples. Além de expandir a carteira da Desenvolve SP, Souza quer reduzir pela metade o índice de inadimplência, que está bem acima da média do mercado, fortalecer a digitalização e aumentar a integração com o Banco do Povo Paulista, outra instituição estatal, voltada para o microcrédito. "Este é o momento do crescimento", ressaltou em entrevista ao Valor, a primeira desde que assumiu, em maio.

Atualmente, a Desenvolve SP tem uma carteira de crédito de R$ 1,287 bilhão, pequena para um Estado do tamanho de São Paulo, como Souza reconhece, mas ele diz que dá para chegar a R$ 2 bilhões ainda este ano, sem precisar levantar capital novo. "A demanda é muito grande, os investidores estão voltando. A economia de São Paulo está crescendo, sempre existem bons projetos", disse.

Em uma mudança de tom em relação a administrações anteriores, que diminuíam a importância do resultado final da agência e ressaltavam o papel de fomento, Souza diz que o lucro da Desenvolve SP é sim um sinal de que a agência está no caminho certo. "Meu lucro vai ser diretamente proporcional aos créditos que eu dei. A empresa, seja pública ou privada, que diz que não vai ter lucro - eu não acredito nisso".

"O principal papel de uma agência de fomento ou de um banco de desenvolvimento é fazer com que exista uma perfeita harmonia entre o público e o privado", explicou. "Vamos trabalhar de forma integrada com outras entidades, ver o que tem aderência financeira dentro do Estado, sinergia. Faltava um pouco de integração".

Como não pode captar depósitos nem emitir letras financeiras, as principais fontes de funding da agência são os aportes do governo e repasses de fundos públicos. Souza afirmou que no momento a monetização de ativos - incluindo uma securitização da carteira, como pretende a Caixa, não está nos planos, mas pode ser uma opção para o futuro.

No ano passado, o então presidente da Desenvolve SP, Milton Santos, que também comandava a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), resgatou uma pauta de reivindicações antigas do setor, como regime tributário especial, tratamento regulatório diferenciado e criação de novos instrumentos de captação. Souza, no entanto, não demonstra preocupação com o funding da agência de fomento paulista e diz que deve investir em novas parcerias para operar com entidades públicas e privadas, como, por exemplo, Sebrae, Abimaq, Fecomércio e outras associações setoriais.

O executivo estabeleceu um novo plano estratégico para a Desenvolve SP, dividido em cinco eixos: setor público (que consiste basicamente em linhas de crédito para as prefeituras paulistas); setor privado; inovação; funding; e cobrança. É neste último eixo que entra a questão da inadimplência. Atualmente a taxa de calotes na agência é de 7,2%, bem acima da média do sistema financeiro nacional, de 3,0%, segundo dados do Banco Central.

"Eu emprestei, mas preciso receber. É uma característica minha; eu sou muito forte na cobrança, não abro mão. Nós não vamos hesitar em executar, buscar nossas garantias", disse. "Em 2020 eu não quero mais conviver com essa taxa elevada de inadimplência", acrescentou.

Segundo Souza, a inadimplência está concentrada em alguns poucos grandes tomadores e a instituição está adotando uma série de medidas para reduzir esse índice, como diminuir o tíquete médio dos seus empréstimos, adotar um maior rigor e eficiência na concessão, exigir melhores garantias e contratar uma empresa especializada em cobrança administrativa.

No âmbito da inovação, a Desenvolve SP deve anunciar ainda em julho um processo totalmente digital para a contratação de operações de crédito de até R$ 1 milhão - o limite atual para esse tipo de operação é de R$ 200 mil. Para o próximo ano, a agência tem planos até de lançar um aplicativo para celular. Além disso, para aumentar sua capilaridade, vai utilizar os assessores de crédito do Banco do Povo Paulista, que ficam instalados nas sedes das prefeituras.

Nas operações com o setor privado, a agência de fomento criou quatro categorias. A primeira, de até R$ 50 mil, é voltada para microempreendedores, e fica a cargo do Banco do Povo, que é uma instituição separada, mas para a qual a Desenvolve SP começará a fazer a gestão administrativa. A segunda, para créditos de até R$ 1 milhão, fica com a agência em si. A terceira categoria, chamada "inovação", terá condições específicas. Já a quarta categoria, "performance", é voltada para os clientes que honraram suas operações anteriores no prazo. "É como se já fosse a implantação do cadastro positivo. Vamos dar crédito com prazos e taxas mais atrativos para os bons pagadores", contou o executivo.

 

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