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Publicado em
06/10/2026
Confira abaixo a entrevista concedida por Adriano Leite, fundador da Bankup, à Revista SINFAC-SP. Para ler a edição completa, clique aqui.
Aos 15 anos, Adriano Leite deu os primeiros passos no mercado de fomento comercial como office boy. O que começou como uma oportunidade de trabalho se transformou em uma carreira construída integralmente no segmento. Após atuar nas áreas de análise de crédito, gestão de risco e desenvolvimento comercial, decidiu empreender e fundou a Bankup, em 2014. Hoje, a empresa atua em 15 estados, atende centenas de clientes e mantém forte presença junto ao setor industrial. Nesta entrevista à Revista SINFAC-SP, Adriano compartilha sua trajetória profissional, fala sobre os desafios do cenário econômico e explica como tecnologia, relacionamento e visão de longo prazo orientam o crescimento da companhia.
Revista SINFAC-SP - Sua trajetória no setor começou muito cedo. Como foi esse caminho até a criação da Bankup?
Adriano Leite - Comecei em 2002, aos 15 anos, como office boy em uma empresa de factoring. Tive a oportunidade de conhecer profundamente o segmento, passando por diferentes áreas até assumir funções ligadas à análise de crédito e gestão de risco. Nesse período também me formei em Administração e fiz MBA em Marketing e Vendas. Depois, migrei para a área comercial, que é uma grande paixão para mim, e permaneci por mais sete anos em outro grupo do setor. Em 2014, decidi empreender e fundar a Bankup.
Revista SINFAC-SP – O que motivou essa decisão de empreender?
Adriano Leite - Sempre tive o sonho de construir meu próprio negócio. Venho de uma família simples e enxergava o empreendedorismo como uma oportunidade de construir algo duradouro. Depois de anos aprendendo sobre crédito, relacionamento com clientes e gestão, senti que tinha a experiência necessária para criar uma operação com identidade própria. Reuni investidores, formei uma equipe e demos início à Bankup.
Revista SINFAC-SP - Como a empresa evoluiu desde então?
Adriano Leite - A Bankup começou pequena, mas cresceu de forma consistente ao longo dos anos. Hoje estamos presentes em 15 estados, administramos uma carteira com cerca de 350 cedentes ativos e mantemos uma operação bastante pulverizada. Mensalmente, são milhares de títulos negociados e contamos com aproximadamente 50 profissionais, entre colaboradores, parceiros e representantes comerciais.
Revista SINFAC-SP - A empresa optou por uma atuação nacional. Como a tecnologia contribuiu para esse crescimento?
Adriano Leite - Desde a fundação, a Bankup nasceu em um ambiente digital. Isso nos permitiu atender empresas em diferentes regiões do país com eficiência e segurança. Investimos constantemente em tecnologia, monitoramento de risco, análise de fraude e inteligência artificial. A digitalização ampliou nossa capacidade de escala, mas sem abrir mão dos controles necessários para manter uma operação saudável.
Revista SINFAC-SP - Apesar dessa aposta na tecnologia, você destaca muito a importância das pessoas no negócio.
Adriano Leite - Sem dúvida. A tecnologia é essencial, mas continuamos acreditando muito no relacionamento. Gostamos de investir na formação de gerentes comerciais, de visitar os clientes, conhecer suas operações e entender suas necessidades. Mesmo quando o atendimento acontece à distância, buscamos preservar essa proximidade. O crédito é uma atividade baseada em confiança e relacionamento, e isso continua sendo um diferencial importante para nós.
Revista SINFAC-SP - Existe um perfil predominante de cliente atendido pela Bankup?
Adriano Leite - Sim. A maior parte da nossa carteira é formada por indústrias. Gostamos de atuar junto a empresas que produzem, geram empregos e precisam de capital para crescer. Muitas vezes, ajudamos nossos clientes a ampliarem fábricas, adquirir máquinas ou estruturar operações que permitam atender novos mercados.
Revista SINFAC-SP - Há algum caso que represente bem o impacto desse trabalho?
Adriano Leite - Um exemplo marcante é o de uma indústria de parafusos que começou conosco quando tinha cerca de dez funcionários. Não oferecemos apenas antecipação de recebíveis, mas também soluções que permitiram ampliar a compra de matéria-prima e expandir a operação. Alguns anos depois, a empresa passou a contar com cerca de 300 colaboradores, sede própria e uma estrutura muito maior. É gratificante acompanhar trajetórias assim e perceber que participamos desse crescimento.
Revista SINFAC-SP - Como você avalia o atual cenário econômico para empresas que dependem de crédito e capital de giro?
Adriano Leite - É um cenário que exige cautela. Os juros elevados aumentam os desafios para empresários e também para quem concede crédito. Observamos um crescimento da demanda por recursos, ao mesmo tempo em que aumentam os riscos relacionados à inadimplência e às recuperações judiciais. Por outro lado, o Brasil continua sendo um país empreendedor, com novos negócios surgindo o tempo todo. Por isso, mantemos uma postura equilibrada, acompanhando os riscos sem deixar de apoiar empresas com projetos viáveis e capacidade de crescimento.
Revista SINFAC-SP - Qual é a visão de longo prazo da Bankup?
Adriano Leite - Desde a fundação da empresa, tenho um sonho que costumo compartilhar com a equipe: construir uma empresa centenária. Sei que não estarei aqui para ver esse momento, mas acreditamos na importância de pensar a longo prazo, investir nas próximas gerações e criar uma cultura sólida. Crescer é importante, mas construir algo duradouro é ainda mais relevante.
Revista SINFAC-SP - Qual é a importância de entidades como o SINFAC-SP e a ABRAFESC para o desenvolvimento do setor?
Adriano Leite - O SINFAC-SP e a ABRAFESC são parceiros históricos do nosso segmento. Eles oferecem conteúdo, capacitação, orientação e representam os interesses das empresas do setor. Já participei de diversos cursos e acompanhei de perto esse trabalho. São entidades que fortalecem o mercado e ajudam os empresários a tomarem decisões com mais segurança e conhecimento.