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Publicado em 19/03/2020

De forma inédita, varejo fecha em parte do Brasil (Valor Econômico)

Os shoppings centers vão fechar as portas temporariamente nas principais capitais pela primeira vez na história do país, por conta da crise gerada pela pandemia do coronavírus. Além disso, lojas de rua vão parar de funcionar na cidade de São Paulo por 15 dias - com exceção de padarias, postos, farmácias, supermercados, feiras livres, bares e restaurantes.

É um fato inédito num setor já duramente afetado pela recessão verificada nos últimos anos. Especialistas projetam migração de vendas para o comércio on-line, o que exigirá das empresas reorganização de seus negócios.

Ontem, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recomendou o fechamento dos shoppings na região metropolitana por até seis semanas - entre segunda-feira e 30 de abril. A orientação será seguida pelas empresas, disse a Alshop, associação dos lojistas.

No Rio, as empresas de shoppings estão anunciando fechamento por 15 dias. Em Porto Alegre, o fechamento dos empreendimentos também deve durar duas semanas.

Ainda ontem, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, assinou decreto determinando o fechamento do comércio na cidade a partir de amanhã até 5 de abril. Para especialistas, isso reforça a possibilidade de que outras cidades e Estados sigam o mesmo caminho.

Comerciantes e empresas de shoppings devem ser fortemente afetados pela medidas - especialmente franqueados e varejistas de pequeno porte, com menor volume e limitado acesso à capital de giro. Haverá queda na receita e, inicialmente, com manutenção das despesas e custos, o efeito no lucro das empresas será direto, dizem associações. Lojistas devem estudar corte de gastos e cogitam hipótese de demitir pessoal, afirmam entidade do setor.

São negócios que já reduziram suas operações e perderam margens nos anos de queda de consumo, entre 2014 e 2018.

Grandes empresas de shoppings com capital aberto (Multiplan, Aliansce Sonae, Iguatemi, BR Malls) perderão a receita. Mais de 80% da receita líquida delas vem de um percentual das vendas das lojas. Após os anúncios, as ações dos grupos aprofundaram a queda em bolsa. Os papéis da BR Malls, com shoppings de classes A, B e C, tiveram a maior queda, de 23,88%.

No país, apenas o setor de shoppings fatura R$ 192 bilhões ao ano e emprega 1,1 milhão de pessoas. No Estado de São Paulo, o comércio vende ao ano R$ 240 bilhões - R$ 20 bilhões ao mês.

Nesse cenário, shoppings e lojistas devem abrir negociações de contratos. E representantes do comércio analisam levar uma pauta de reivindicações ao governo, como liberação de crédito e adiamento no pagamento de tributos.

Sobre aluguel e custos condominiais, a expectativa é que as empresas de shopping reanalisem acordos de pagamentos, já que o empreendimento estará fechado. “Equipes de segurança e limpeza devem ser reduzidas e contratos de terceirização revistos, mas isso tem um efeito muito pequeno para o comerciantes”, diz um administrador de shopping. “Outra hipótese é reduzir fundo de promoção, mas isso também não é muito”.

A Alshop, associação dos lojistas de shoppings, afirma que, no caso do aluguel, o problema é maior. “Como as lojas pagam aluguem como percentual da venda, e não há venda, o aluguel a ser pago é zero. Nem se paga aluguel mínimo, porque aluguel mínimo só se paga se a loja está aberta”, disse Nabil Sayon, presidente da entidade.

A Alshop entende que é preciso negociar com os governos em todas as esferas para adiar ou reduzir pagamentos de tributos. “Na prática, o que o setor precisa mesmo é ajuda financeira”, disse. Não há reunião agendada entre a associação e autoridades, por enquanto, para discutir esse assunto.

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