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Publicado em 03/12/2015

Banco oferece crédito a clientes mais arriscados com estrutura de fundos (DCI)

Diante de um cenário de escassez de crédito, o Banco Confia encontrou uma forma de captar recursos oferecendo boa rentabilidade aos investidores, e fornecer empréstimos para microempresários e às classes C e D, nichos considerados mais arriscados.

Através de funding (geração de recursos) proporcionados pela estrutura de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que gera retorno de 22,8% ao ano aos cotistas, a instituição financeira oferece microcrédito com taxa média de 3% ao mês a clientes considerados que maiores riscos de inadimplência.

O produto, elaborado pelo Banco Confia Microfinanças e Empreendedorismo, conta com microcrédito \"produtivo e orientado\", que pode ser solicitado de forma individual ou \"solidária\" - quando o empréstimo é dividido entre três a cinco pessoas -, e com operações renovadas a cada quatro ou cinco meses.

Já os investimentos, com rendimentos entre 2,3% e 2,5% ao mês, provenientes da taxa de juros dos recebíveis do FDIC, cedidos pelo próprio Confia, também oferecem, segundo o CEO da instituição, Guto Ferreira, \"um microsseguro, a nota promissória e o contrato\", como garantias da operação e do baixo risco ao investidor.

\"Este sistema, sem dúvida nenhuma, atrai mais recursos para microempresários e classes C e D. Hoje se discute o formato do capitalismo no mundo inteiro, e esse formato de ter FIDC onde o investidor possa ter uma rentabilidade justa de investimento e onde também haja a capacidade de fomentar empreendedorismo na base da pirâmide, é o capitalismo consciente. É uma grande forma de fazer uma operação à parte dos planos privados, sem ter ônus de ficar emprestando cartão de crédito e cheque especial\", avalia o executivo da instituição.

Segundo Ricardo Couto, mestre em finanças internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), o FIDC já tem uma tendência consolidada no País e, essa nova abrangência para o setor de microempresários, \"não tem mais volta\".

\"Os FIDCs vieram para ocupar um espaço de forma sólida, barata e ágil. Eles já tomaram boa parte do mercado de empréstimo com benefícios de diversificação. O que está acontecendo é a migração dos FIDCs que atendiam as grandes para, agora, atender empresas menores. Assim como já podíamos ver a estabilização desse mercado antes, também o veremos se consolidar nas microempresas\", diz.

Em relação ao empréstimo \"solidário\", Ferreira afirma que uma solução \"melhor em todos os aspectos\".

\"É um método que apresenta mais segurança porque, via de regra, as pessoas se unem com outros que querem efetivamente empreender, ou com pessoas conhecidas, com negócios próximos ao dela. É um produto que fomenta o desenvolvimento econômico e que já ocupa 80% das nossas operações\", conta o executivo.

Ele ressalta que, desse total, 65% correspondem a solicitações de mulheres. \"É uma média superior à nacional, de 60%\", avalia.

Riscos e retornos

Em relação ao produto oferecido pelo Banco Confia, o CEO Guto Ferreira afirma ser uma \"operação com falha zero\".

\"Além das garantias pelos recebíveis, o seguro contra inadimplência, contratado pelo solicitante de crédito, cobre o valor a ser pago em casos de não quitação de dívida. Dessa forma, o cliente não fica com problema quanto ao pagamento e o investidor tem sua rentabilidade garantida\", conta.

Já Couto, no entanto, afirma que, no contexto geral, o investimento em FIDC também tem um risco a ser considerado.

\"Ele tem seu risco pela própria inadimplência mas, por outro lado, é um risco diminuído pela diversificação dos empréstimos. O gestor consegue fazer com que fique interessante para o investidor final. É importante lembrar também que não é um produto de renda fixa, o que o deixa com mais risco do que esse títulos, mas o que gera uma rentabilidade também maior\", avalia.

Os especialistas ouvidos pelo DCI afirmam que, apesar disso, é um setor que tende a crescer e a se estabilizar.

\"Esse crescimento do FIDC deve permanecer mesmo durante a crise. De forma geral, o mercado está encolhendo, mas esse é um segmento novo, e veremos crescimento nos próximos anos\", analisa Couto.

\"Além disso, o microcrédito tem passado por algumas mudanças no Brasil inteiro. É importante que esse microempreendedor passe também por uma educação financeira para conseguir acompanhar tudo isso. Apenas dar o crédito não é suficiente para quem não tem nenhuma educação financeira. Para que ele possa realmente funcionar, é preciso educar esse cliente e ensinar o empreendedorismo, que é uma alavancagem socioeconômica\", conclui Ferreira, do Banco Confia.

Isabela Bolzani

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