FECHAR
Publicado em 05/08/2025
Por Marco Antonio Granado
Em um cenário de alta competitividade, com margens cada vez mais apertadas e mudanças tributárias constantes, conhecer e controlar os custos da empresa deixou de ser uma boa prática, sendo uma necessidade vital para qualquer negócio que deseja crescer com sustentabilidade e segurança.
A falta de controle de custos é uma das principais razões pelas quais empresas financeiramente saudáveis, em tese, quebram. Isso porque, sem clareza sobre onde está o dinheiro e como ele é consumido, não há como precificar corretamente, tomar decisões estratégicas ou planejar o futuro.
Custos são gastos diretamente associados à atividade-fim da empresa. Em termos simples, são todos os recursos consumidos para produzir ou entregar aquilo que a empresa vende: um produto ou serviço. É fundamental não confundir custos com despesas, embora ambos sejam saídas de dinheiro, eles têm naturezas e impactos diferentes.
Tipo Definição Exemplos
Custos Gasto vinculado diretamente à produção ou entrega Matéria-prima, mão de obra da produção, embalagens, energia da fábrica
Despesas Gasto relacionado à estrutura, apoio e gestão do negócio Aluguel do escritório, marketing, contabilidade, administrativo
Essa separação não é apenas contábil, ela também é considerada estratégica, porque permite:
a) identificar quanto custa entregar cada produto ou serviço;
b) entender se a operação está eficiente ou cara;
c) calcular corretamente o preço de venda;
d) planejar de forma realista.
Para facilitar a gestão, os custos podem ser divididos em quatro categorias principais:
a) Custos Fixos:
São os gastos que não mudam com o volume de produção, estão sempre presentes, mesmo que a empresa produza zero, alguns exemplos: aluguel do galpão ou fábrica/escritório, salários de supervisores, equipe administrativa da produção, depreciação de máquinas e equipamentos, dentre outros.
Atenção, custos fixos altos demais exigem maior volume de vendas para cobrir o ponto de equilíbrio.
b) Custos Variáveis:
Aumentam ou diminuem conforme a quantidade produzida, vendida ou serviços prestados, alguns exemplos: matéria-prima, comissões sobre vendas, energia elétrica usada diretamente na produção, dentre outros.
Uma dica, entender esses custos ajuda a projetar lucros com base no crescimento da demanda.
c) Custos Diretos:
Podem ser identificados diretamente em cada produto ou serviço, alguns exemplos:
tecido de uma camiseta, horas de um técnico prestando serviço e peças de reposição em uma manutenção, dentre outros.
d) Custos Indiretos:
São necessários para a produção, mas não podem ser diretamente associados a um único item, produtos ou prestação de serviços, devem ser rateados de forma inteligente, alguns exemplos: manutenção das máquinas, limpeza da área de produção, salário do encarregado da produção, dentre outros.
O controle de custos é a base para decisões inteligentes. Veja os principais motivos:
a) Evitar prejuízos silenciosos, ou seja, sem saber quanto custa produzir, o empresário corre o risco de vender com prejuízo sem perceber, porém, pode achar que está “vendendo bem” quando, na verdade, está acumulando perdas.
b) Precificar corretamente, sendo assim, o preço não deve ser “o que o mercado paga”, mas sim:
b.1) preço = Custo Total + Margem de Lucro desejada
b.2) empresas sem clareza de custos erram na precificação e perdem mercado ou margem.
c) Melhorar a eficiência operacional:
Controlar custos permite identificar gargalos, desperdícios e ineficiências. Isso leva a melhorias reais:
c.1) redução de perdas
c.2) otimização de processos
c.3) reorganização de recursos
d) Tomar decisões com segurança:
Um empresário bem informado pode:
d.1) negociar melhor com fornecedores
d.2) decidir entre produzir ou terceirizar
d.3) analisar a viabilidade de novos produtos
d.4) redimensionar sua estrutura
e) Controlar o fluxo de caixa e garantir sustentabilidade:
empresas quebram por falta de caixa, e o principal fator de esvaziamento financeiro são custos fixos altos ou descontrolados.
Definindo um passo a passo prático e funcional para o empresário ou gestor colocar em prática:
a) Mapeie os processos e atividades da empresa
Entenda o que está sendo feito, por quem, e com quais recursos. Isso é essencial para atribuir custos corretamente.
b) Classifique cada gasto como custo ou despesa
Tenha um plano de contas organizado e padronizado, porém, quanto mais detalhado, melhor será sua análise.
c) Implemente um sistema de registro confiável, usando ferramentas como:
c.1) sistemas de gestão empresarial (ERPs)
c.2) planilhas estruturadas
c.3) softwares contábeis com integração bancária
Importante, o registro deve ser diário ou semanal, ou seja, nada de “acertar tudo no final do mês”.
d) Apure o custo real de cada produto ou serviço, considerando:
d.1) custos diretos + rateio dos custos indiretos
d.2) mão de obra + insumos + energia + depreciação
d.3) logística ou entrega (quando aplicável)
c) Crie relatórios gerenciais e acompanhe indicadores, e analise principalmente:
c.1) margem de contribuição por produto
c.2) custo fixo x receita
c.3) ponto de equilíbrio
c.4) lucro bruto e líquido
Importante, use estes dados os dados analisados para ajustar o rumo da empresa periodicamente. Mais do que um simples controle financeiro, a gestão de custos é uma ferramenta estratégica. Ela revela a verdade sobre a rentabilidade da sua empresa, mostra onde estão os desperdícios, aponta o que deve ser corrigido e direciona o empresário para um crescimento seguro.
Lembre-se, não existe empresa lucrativa sem controle rigoroso de custos. Se você ainda não faz isso, comece agora, e se já faz, revise sua estrutura. Empresas que crescem de forma profissional têm no controle de custos uma de suas maiores fortalezas.
Marco Antonio Granado, empresário contábil, contador, palestrante e escritor de artigos empresariais. Atua como consultor empresarial nas áreas contábil, tributária, trabalhista e de gestão empresarial. Atua como docente na UNISESCON e no SINDCONT-SP. Atua como consultor contábil, tributário, trabalhista e previdenciário do SINFAC-SP e da ABRAFESC. É membro da 5ª Seção Regional do IBRACON. É bacharel em contabilidade e direito, com pós-graduação em direito tributário e processo tributário, mestre em contabilidade, controladoria e finanças.