Assédio moral e sexual nas empresas: risco oculto, impactando as operações e o fluxo de caixa

Publicado em 28/08/2025

Por Marco Antonio Granado

No ambiente empresarial, falar de assédio moral e sexual deixou de ser um tabu e passou a ser uma necessidade estratégica. Antes, o tema era tratado apenas como um problema “interno”, mas agora pode resultar em consequências jurídicas severas, crises de imagem irreversíveis e até na inviabilidade de um negócio.

Muitos empreendedores e gestores acreditam que casos de assédio estão distantes da sua realidade, mas a prática mostra que eles podem surgir em qualquer empresa, independentemente do porte ou do segmento. Destacamos que o ponto central não é apenas a existência de um episódio isolado, mas sim a forma como a empresa previne, identifica e trata essas situações.

Vamos esclarecer de forma bem sucinta o que é assédio moral e sexual no ambiente de uma empresa, sendo:

a) assédio moral:

ocorre quando há condutas repetitivas que humilham, constrangem ou desvalorizam o trabalhador, como gritos, ameaças, exclusão de reuniões importantes, sobrecarga proposital de tarefas ou críticas vexatórias;

b) assédio sexual:

envolve condutas de natureza sexual, explícitas ou veladas, que constrangem a vítima, poderá estar acompanhada de chantagens (condicionar uma promoção ou benefício à aceitação de investidas) ou de comportamentos indesejados, como piadas, comentários e toques inadequados.

Ambos têm efeito devastador: além de comprometerem a saúde mental e física das vítimas, criam um clima organizacional insustentável, que se espalha para toda a equipe.

Definimos a seguir as principais falhas das empresas que aumentam o risco empresarial no aspecto do assédio moral e sexual:

a) falta de canal de denúncias estruturado:

sem mecanismos adequados, as vítimas se calam, gerando acúmulo de casos ocultos, que podem vir à tona de forma explosiva, inclusive na mídia;

b) ambiente tóxico ou permissivo:

Se pequenas condutas abusivas não são coibidas, elas ganham espaço. O silêncio da gestão transmite a mensagem de que “a empresa aceita”;

c) falta de apuração interna:

ignorar denúncias ou apurar de forma superficial fragiliza a confiança dos colaboradores e pode ser interpretado como negligência em processos trabalhistas;

d) não responsabilizar líderes assediadores:

quando gestores abusivos permanecem impunes, a mensagem transmitida é de que resultados importam mais que respeito e ética, destruindo a cultura corporativa.

Alguns dos principais Impactos diretos para as empresas no aspecto do assédio moral e sexual:

a) financeiro:

processos trabalhistas podem resultar em indenizações milionárias. Empresas de médio porte já enfrentaram condenações superiores a R$ 1 milhão;

b) na reputação e na marca:

em tempos de redes sociais, a repercussão negativa pode afastar clientes, investidores e parceiros de negócios;

c) no capital humano:

colaboradores expostos a ambientes abusivos sofrem queda de produtividade, maior absenteísmo e pedidos de demissão, aumentando a rotatividade e os custos com recrutamento;

d) fiscalização e compliance:

órgãos como o Ministério Público do Trabalho podem instaurar investigações, aplicando multas e exigindo planos de correção.

Algumas sugestões de como tentar prevenir e mitigar riscos no aspecto do assédio moral e sexual:

a) política interna clara e acessível:

um código de conduta bem estruturado, com exemplos práticos de situações de assédio, deve ser conhecido por todos os colaboradores e fornecedores;

b) canal de denúncias independente:

ferramenta sigilosa, que permita relatos anônimos e acompanhe a apuração com transparência. Hoje já existem soluções terceirizadas acessíveis até para pequenas empresas;

c) treinamento e conscientização:

promover treinamentos periódicos para líderes e equipes sobre ética, respeito e diversidade, deixando claro quais condutas não serão toleradas;

d) investigação imediata e imparcial:

toda denúncia deve ser registrada e apurada de forma criteriosa, com entrevistas, análise de evidências e acompanhamento jurídico;

e) cultura de liderança responsável:

a alta gestão deve ser o exemplo prático. Líderes que desrespeitam não podem ser protegidos pelo cargo ou pelos resultados;

O assédio moral e sexual não é apenas uma questão de ordem trabalhista ou de direitos humanos, e sim, uma questão de sobrevivência empresarial. Alertamos que a negligência a este tema, poderá comprometer financeiramente uma empresa, bem como, manchar sua reputação e destruir anos de construção de sua marca.

Empresas que assumem postura preventiva não apenas evitam riscos jurídicos, mas também atraem e retêm talentos, fortalecem a confiança dos clientes e parceiros e se consolidam como organizações éticas e sustentáveis. Para o empreendedor, o gestor e o empresário moderno, investir em cultura de respeito, compliance e canais de proteção não é custo, e sim, uma postura estratégica inteligente de gestão.

 

Marco Antonio Granado, empresário contábil, contador, palestrante e escritor de mais de 8.000 artigos empresariais. Atua como consultor empresarial nas áreas contábil, fiscal, tributária, trabalhista e de gestão empresarial. É docente na UNISESCON-SP, SINDCONT-SP, CRC-SP, SINFAC-SP, ABRAFESC e outras entidades. Atua como orientador contábil, tributário, trabalhista e previdenciário do SINFAC-SP e da ABRAFESC. Foi conselheiro consultivo da JUCESP (2019–2022). É membro da 5ª Seção Regional do IBRACON (2017–2025). Bacharel em Contabilidade e em Direito, pós-graduado em Direito Tributário e Processo Tributário, mestre em Contabilidade, Controladoria e Finanças pela FIPECAFI-USP.

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