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Publicado em 26/06/2025
Por Marco Antonio Granado
Em qualquer empresa, independentemente do porte ou do segmento, a gestão de pessoas é um dos maiores fatores de sucesso ou fracasso da operação. Muito além de contratações e folhas de pagamento, a administração do capital humano exige atenção diária, decisões rápidas e habilidade para lidar com conflitos, metas, leis e expectativas.
Neste artigo, reunimos as principais complexidades operacionais que empresários e gestores enfrentam na prática, no dia a dia da operação, e como esses desafios afetam diretamente a produtividade, o ambiente de trabalho e os resultados da empresa. Sendo elas:
1. Recrutamento e Seleção
É o processo de atrair, analisar e contratar candidatos adequados para as vagas da empresa, alinhando perfil técnico e comportamental às necessidades do negócio.
Um processo de contratação mal conduzido pode comprometer toda uma equipe, sendo:
a) seus desafios:
a.1) falta de tempo para analisar currículos e entrevistar candidatos;
a.2) dificuldade em alinhar perfil comportamental com a cultura da empresa;
a.3) contratações emergenciais que resultam em baixa produtividade ou desligamentos precoces.
b) suas consequências práticas:
b.1) desorganização nas escalas, sobrecarga de equipe e perda de tempo com novas seleções.
2. Treinamento e Desenvolvimento
É conjunto de ações para capacitar novos colaboradores e aperfeiçoar continuamente a equipe, garantindo domínio das atividades e melhoria de desempenho.
Na operação, é comum novos colaboradores aprenderem suas funções "na prática", sem processos estruturados, gerando:
a) repetição de erros simples por desconhecimento.
b) treinamentos informais que comprometem a padronização.
c) ausência de capacitação contínua da equipe;
d) dentre outros.
e suas consequências são:
a) retrabalho
b) falhas na execução
c) impacto direto na qualidade do serviço prestado.
3. Engajamento e Motivação
São as estratégias para manter os colaboradores envolvidos, produtivos e comprometidos com os objetivos da empresa, por meio de comunicação, reconhecimento e ambiente positivo.
A desmotivação aparece no cotidiano de forma silenciosa, por meio de:
a) atrasos frequentes;
b) absenteísmo;
c) baixa produtividade.
d) falta de participação nas reuniões;
e) entregas sem iniciativa.
f) inexistência de reconhecimento e estímulo.
e suas consequências são:
a) queda de desempenho coletivo;
b) perda de talentos silenciosa.
4. Gestão de Desempenho
Avaliação contínua da performance dos funcionários com base em metas e indicadores, promovendo feedback, correções e desenvolvimento individual.
Avaliar a equipe de forma justa exige acompanhamento sistemático, algo que nem sempre acontece, na rotina:
a) feedbacks são esporádicos e reativos;
b) não há metas claras ou indicadores de desempenho.
c) decisões de promoção ou advertência geram ruídos por falta de critérios.
e suas consequências são:
a) sensação de injustiça;
b) desengajamento da equipe.
5. Cumprimento das Obrigações Legais
São todos os atendimentos às exigências trabalhistas e previdenciárias (como CLT, FGTS, eSocial, INSS), evitando riscos jurídicos e garantindo segurança para o empregador.
Empresários lidam diariamente com uma série de obrigações trabalhistas que, se mal conduzidas, geram riscos sérios:
a) erros no ponto, folha e benefícios.
b) desconhecimento sobre direitos e deveres da CLT.
c) riscos com o eSocial, fiscalizações e ações judiciais.
e suas consequências são, os passivos trabalhistas e multas que comprometem o caixa da empresa.
6. Clima Organizacional e Conflitos
Gestão do ambiente de trabalho, promovendo boas relações, resolvendo conflitos e assegurando um espaço saudável e colaborativo para todos.
No cotidiano da empresa, conflitos não resolvidos e falta de comunicação geram:
a) fofoquinhas;
b) rivalidades;
c) quebra de confiança;
d) queixas constantes;
e) desmotivação generalizada.
f) ambiente de trabalho hostil, que afeta até os bons profissionais.
e suas consequências são:
a) clima tóxico;
b) baixa retenção de talentos.
7. Estrutura de Cargos, Carreiras e Salários
Organização das funções, níveis hierárquicos, planos de crescimento e políticas salariais, promovendo clareza, justiça e retenção de talentos, sem organização clara, a operação sofre com:
a) acúmulo de funções e sua sobrecarga de trabalho de forma indevida;
b) reivindicações salariais aleatórias, sem critérios.
c) ausência de plano de crescimento que estimule os colaboradores.
e suas consequências são:
a) desorganização interna;
b) folha de pagamento inflada sem ganho de performance.
8. Tecnologia e Processos de RH
Uso de sistemas e ferramentas para automatizar e organizar rotinas de gestão de pessoas, reduzindo erros e aumentando a eficiência.
A falta de sistemas ou o mau uso das ferramentas disponíveis cria gargalos operacionais como:
a) controle manual de ponto, férias e benefícios;
b) erros no envio de obrigações legais;
c) falta de integração entre setores administrativos;
d) retrabalho, lentidão nos processos e perda de controle;
e) dentre outros.
A gestão de pessoas não pode ser tratada como uma tarefa de apoio, e sim de forma estratégica. Cada erro ou falha no dia a dia tem impacto direto nos resultados do negócio.
Empresários e administradores precisam investir na estruturação mínima dos processos de RH, na capacitação dos líderes e na adoção de ferramentas que facilitem a rotina, porém, não devem se esquecer que ao mesmo tempo devem humanizam a relação com e entre seus empregados.
Afinal, uma equipe bem gerida é um ativo poderoso, porém se mal gerida, torna-se um passivo de alto custo.
Marco Antonio Granado, empresário contábil, contador, palestrante e escritor de artigos empresariais. Atua como consultor empresarial nas áreas contábil, tributária, trabalhista e de gestão empresarial. Atua como docente na UNISESCON e no SINDCONT-SP. Atua como consultor contábil, tributário, trabalhista e previdenciário do SINFAC-SP e da ABRAFESC. É membro da 5ª Seção Regional do IBRACON. É bacharel em contabilidade e direito, com pós-graduação em direito tributário e processo tributário, mestre em contabilidade, controladoria e finanças.